Eventos

<<  Dezembro 2017  >>
 S  T  Q  Q  S  S  D 
      1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Terça - 12 de Dezembro de 2017
Natim: 90 anos de bem com a vida
Entrevista
Escrito por Rodrigo Guadagnim   
Sex, 18 de Novembro de 2011 11:59
PERSONALIDADE

Ele segue ativo e produtivo, ajudando na Igreja, o Rotary, o Clube de Campo, administrando imóveis dos irmão e a fazenda.  
 
 
Confira os principais trechos da entrevista com Donato Marino Neto, o Natim, concedida no último dia 15 de novembro. Neste bate-papo, este representante de uma das mais tradicionais famílias rio-pedrenses fala sobre política, família, Rotary (do qual nunca faltou de nenhuma reunião desde 1967), da sua rotina de vida e dos segredos para se chegar aos 90 anos ativo e produtivo. Natim foi o escolhido da edição em homenagem aos 120 anos do pai dele, Nicolau Marino, completados no próximo dia 24. 
 
O RIO-PEDRENSE: Seu pai participou ativamente na implantação de algumas das coisas mais importantes para o lazer do povo, como a Cultural, o cinema, as duas praças.
E a barraca da Igreja e a Casa Paroquial; foram terrenos doados pelo meu pai. Ele era muito católico, um homem de muito bom coração. Minha mãe já era mais brava. Ela era da família Luca, nascida em Caratinga, Minas Gerais.
 
Ela era italiana?
Meu pai era italiano e veio para cá com três anos. Ela era filha de italianos nascida no Brasil e foi para a Itália e depois voltou moça para o Brasil.
Quando o seu pai fundo o cine Ypiranga (7 de setembro de 1945), o senhor já tinha voltado de São Paulo para Rio das Pedras?
Sim. Quando eu me formei no curso de Economia eu já estava indicado para trabalhar no Banco do Brasil na praça do patriarca, porque naquela época não tinha concurso, eles pegavam os melhores alunos da faculdade. Eu e outro rapaz fomos escolhidos para trabalhar lá. Mas meu pai precisava de mim aqui, por causa do armazém e da fazenda, daí eu voltei para cá.
 
Como era a relação da cidade com o cinema? Qual era o horário de funcionamento?
O povo gostava mais de filmes nacionais; quando tinha Mazzaropi superlotava o cinema. Funcionava às quartas, sábados e domingos. De quarta era as 19h30 e de sábado e domingo era às 20h.
 
A turma saia da missa e ia pro cinema?
Sim. E tinha o vai e vem em frente a igreja: os homens subiam e as moças desciam, daí namoravam ali. Quem não ia para o cinema, acabava namorando por lá. 
 
A Prudente era a Rua de Cima, não é? Porque tem muita gente que acha que a rua de Cima era a João Tobias. 
A João Tobias era a rua das Cabras. Ela chegava até onde é a avenida (José Augusto da Fonseca). Ali no Hospital era a entrada da Nova Java. Aí o Dr. Raul deu o terreno para fazer o Hospital, que foi inaugurado em 1945. O prefeito era o Gramani, eu que fiz a inauguração. Mas não era da política dele; nós elegemos o Álvaro Bianchim por dois votos. A apuração foi na salinha do cartório que é aquela que fica ao lado da atual Microlins. Teve tumulto e precisou vir a Força de Piracicaba para cá.
 
A Força era a Polícia Militar?
Sim.
 
Tem muita gente que fala que houve fraude naquela eleição e que furavam as cédulas com a unha...
Não, isso é conversa. Nós ganhamos por dois votos.
 
Seria o segundo mandato do Gramani, né?
Não era ele o concorrente, era o candidato indicado dele que perdeu, o Bazanella. 
 
Porque o senhor teve esse posicionamento contrário ao Gramani se o senhor fala bem dele?
A gente se dava muito bem, ele foi um dos melhores prefeitos. Só que o povo não gostava tanto do indicado dele.
 
Não gostava do sucessor então?
Sim, ele não soube escolher.
 
A Usina Bom Jesus me parece que ficou contra o Bazanello porque a direção não gostava do Gramani.É verdade?
O Luiz Augusto Barichello, que fundou a Usina não gostava dele. Era assunto pessoal, não gostavam dele. Mas ele fez coisas boas, a primeira represa de água foi o Gramani que fez porque tinha uma filha casada com o Miguel Saliba, dono do Viegas. Então o Dr. João Basílio e o Miguel Saliba cederam a água e os direitos lá. Naquela época tinha um tancão (antigo tanque da companhia, próximo de onde hoje é a escola do Cambará), que era da família Aguiar.
 
Onde era a Câmara na época?
Era vizinha a Igreja, tinha uma casa velha lá do lado. Eu fui vereador em 1945.
 
Eram todos voluntários, os vereadores? Como que eram escolhidos?
Sim, todos voluntários. O sétimo fui eu. Faltava um e me pegaram na rua dizendo que eu precisava ser. O prefeito na ocasião era o meu tio, Waldomiro Domingos Justolim e o presidente da câmara era o seo Olivio Barrichelo. Daí parava a sessão, nós íamos ouvir a novela Direito de Nascer no rádio e depois voltávamos a sessão. A sessão da câmara começava as 20h, daí parávamos às 20h30 para ouvir a novela e depois voltávamos para a sessão. 
 
O senhor ajuda até hoje a Igreja Católica. Quando o senhor começou a atuar na Igreja e como foi sua trajetória?
Em 1973. Eu sempre fui secretário da Igreja. Atualmente, eu não quis mais ser secretário, só fiquei com a parte de batismo e casamento. O secretário agora é o Antônio Martins. Na minha época, tinha o Conselho Paroquial que ajudava o padre, daí eu fazia as atas. Ajudava em festas, nas barracas. Atualmente eu faço parte da Pastoral do Batismo, ajudo o padre em todos os batismos. E nos casamentos eu faço as atas.
 
O senhor ajudou a fundar o Rotary em 1967 e nunca faltou a uma reunião, correto?
Sim. Eu fui presidente do Rotary. Atualmente eu sou vice-presidente; o presidente é o Davi Gonçalves. Eu fui oito vezes secretário. Nunca faltei a uma reunião. Quando eu precisei ser operado porque eu bati no trator, o Pedrão Furlan morreu, daí não teve reunião. E na outra que eu não podia ir, morreu o Vlá Vendramim, que era o secretário, daí não teve reunião também. 

O que faz o senhor continuar indo nas reuniões?
É uma amizade muito grande. A gente também socializa com outras sedes do Rotary, vem gente de Saltinho, de Rafard... você acaba conhecendo muita gente de muito lugar. Quando você vai em uma cidade que tem Rotary, é só mostrar o seu cartão de apresentação que já é outro tratamento.
 
O que o Rotary desempenha de bom?
Nós ajudamos na campanha do agasalho, fazemos bingo beneficentes, ajudamos o hospital, ajudamos os Vicentinos.
 
O senhor não usa óculos? Enxerga bem?
Só para ler. Operei a catarata com o Dr. Jorginho (Jorge Martins) há seis anos. De longe enxergo perfeitamente. 
 
E o senhor tem a saúde perfeita? Gosta de sempre ir aos eventos da cidade, como o Carnaval, bailes?
Eu freqüento tudo que é festa. Onde tem festa, eu vou. Quando minha esposa era viva ela reclamava um pouco, mas agora faz dois anos e quatro meses que ela faleceu. Hoje (15 de novembro) seria aniversário nosso aniversário de casamento. 63 anos de casado! Fiz três festas: a de 25 anos de casados (bodas de Prata), de 50 anos (bodas de Ouro) e de 60 anos (bodas de Diamante). 
 
Dá saudades, né?
Sim, muita. Vivemos bem, criamos dois filhos. O parto da minha primeira filha foi feito por uma parteira, Lúcia Keller Segato. Minha filha, Marília, é professora de psicologia da PUC de São Paulo. E o meu filho, Eduardo, aposentou na Caterpillar. É engenheiroformando em São Carlos.
 
O que o senhor acha que foi determinante para o senhor chegar nessa idade totalmente lúcido?
Eu sempre me cuidei. Nunca fumei, pratiquei muito esporte. Eu almoço bem, tomo um café a tarde e janto pouco. Não tomo remédios, durmo bem.
 
Não toma nenhum remédio?
Não. Só afiro a preção a cada 15 dias. De manhã, as 6h30, vou para a fazenda Santa Maria que eu tenho a cana arrendada para a Usina e na outra parte eu planto soja com o Chiquinho Borsato.Vou a pé e volto às 9h30. Não durmo de dia. Daí a tarde eu almoço, administro os imóveis dos meus irmãos para eles. Não posso me queixar de nada na vida. Esportes, tirando luta, fiz de tudo. De noite como alguma coisinha, tomo um copo de leite e vou dormir entre 22h30 e 23h. Antes assisto telejornal da Globo, que é o melhor que tem,  e leio muito. 
 
 
Veja também: 


 
Copyright © 2009 - 2017 - O RIO-PEDRENSE. Site desenvolvido por CM+P
Rua Massud Coury, 864, Bom Jesus, Rio das Pedras-SP - CEP: 13390-000 - Tel: (19) 3493-2156