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Segunda - 11 de Dezembro de 2017
Barjas é otimista sobre RDP
Entrevista
Escrito por Rodrigo Guadagnim   
Sex, 06 de Janeiro de 2012 13:41
 
Prefeito de Piracicaba responsável pela vinda da Hyundai aposta que Rio das Pedras será a cidade vizinha mais beneficiada. 
 
Entrevistador: Rodrigo Guadagnim
Fotos: Thiago Altafini 
 
 
Barjas Negri

Prefeito de Piracicaba

Carreira Acadêmica

-Graduado em Economia (Unimep)
-Mestre e doutor em Economia (Unicamp)
-Professor da Unimep (1974-86).
-Coordenador do Curso de Economia e Chefe do Departamento de Economia;
-1º Presidente da Associação dos Professores da UNIMEP-ADUNIMEP;
-Vice-Presidente e Presidente do Diretório Acadêmico do Centro de Ciências Aplicadas
-Professor e pesquisador do Instituto de Economia da Unicamp desde 1986; 
- Coordenador de Planejamento da UNICAMP de 1.987 a 1.990.

Carreira Pública

- Secretário Municipal de Educação de Piracicaba (1979-1982) 
- Secretário Municipal de Planejamento de Piracicaba (1993-1994). 
-Vereador  entre 1989 a 1992.
-Prefeito de Piracicaba para a gestão 2005-2008. Reeleito prrefeito para a gestão 2009-2012, com 88% dos votos, uma das maiores votações do País.
- Coordenador de Políticas Sociais e de Planejamento e Avaliação do Governo do Estado de São Paulo, entre os anos de 1983 e 1986 (Governo Franco Montoro). 
-Secretario de Habitação de Presidente da CDHU em 2003/2004 durante a gestão do Governador Geraldo Alckmin.
- Presidente do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí para a gestão 2009-2010.
- Trabalhou durante os oito anos do Governo do Presidente  Fernando Henrique Cardoso. 
- Foi secretário-executivo do Fundo Nacional de Desenvolvimento para a Educação (FNDE), no Ministério da Educação, entre 1995 e 1996. 
- Em 1997, assumiu a secretaria-executiva do Ministério da Saúde, cargo que ocupou até fevereiro de 2002, quando assumiu o Ministério da Saúde como Ministro, cargo que exerceu até o final do mandato do Presidente Fernando Henrique.
 
 


Como pesquisador da Unicamp, o senhor estudou o processo de concentração e desconcentração na indústria paulista até a década de 90. Nossa região foi beneficiada no período mais intenso de desconcentração, relatado no livro escrito pelo senhor, com a vinda da Caterpillar. Agora vivemos algo semelhante com a Hyundai.   Qual é a característica desse processo de industrialização contemporâneo hdo Brasil?

Primeiro, eu tenho uma crítica a fazer: o Brasil está com problemas na industrialização dada a abertura desenfreada das importações, a indústria brasileira está perdendo competitividade. Os problemas que tem no câmbio prejudica os setores com relação internacional em exportação, e claro que a região de Piracicaba que tem bons 
tem dificuldades. Se nós tivéssemos um câmbio mais adequado, é claro que nós poderíamos ter uma competitividade maior. 
Na região estamos vivendo um amadurecimento do setor industrial de Piracicaba. Um amadurecimento extremamente significativo. Você tem a indústria mecânica forte, a de material de transporte também fortalecidas, o setor siderúrgico forte, a indústria de papel forte. Há uma âncora boa que garante um crescimento sustentável de Piracicaba e da própria região. Existem dificuldades. O etanol passa por isso. O Brasil é o maior produtor de etanol e importa etanol dos EUA porque tem problemas de preço, falta de estabilidade na política nacional e tem problemas de ameaça de crise. Desde 2009 o setor tem dificuldade, Piracicaba sofreu com isso. 

Como a Hyundai pode influenciar na dinâmica do desenvolvimento industrial na região?

Principalmente na consolidação do parque produtor de material de transporte. A Caterpillar tem um papel importante, já que ela se diversifica, se amplia, ganha dimensão no mercado nacional e internacional e ajudou na consolidação de muitas empresas de médio porte em Piracicaba e na região. Existem empresas fornecedoras da Caterpillar em Rio das Pedras assim como tem empresas fornecedoras da Caterpillar em Piracicaba. Outras empresas de fora de Piracicaba estudam também vir para a região de Piracicaba. Agregado a isso, nós vamos ter o parque automotivo que vai dar a Piracicaba e região uma segunda onda de desenvolvimento industrial. Não acontecerá em Piracicaba nada diferente do que aconteceu em outros locais onde se montou a indústria automotiva. Quem estudou Santo Antônio dos Pinhais, Juiz de Fora, Resende, entre outras cidades, verifica o seguinte processo: instala-se a indústria de peso, que é a grande montadora, e aliado a ela, se consolida na cidade sede e no seu entorno empresas de pequeno e médio porte que vão ser fornecedores de peças. O parque automotivo de Piracicaba acaba transbordando para o seu entorno. Os municípios ao entorno, como Santa Bárbara d’Oeste, Limeira, Rio das Pedras, Capivari, São Pedro, não amanhã, ao longo dos próximos anos vão recepcionar investimentos produtivos para agregar a essa cadeia produtiva. Isso já está acontecendo. Tem empresas estudando Limeira, Santa Bárbara d’Oeste, Rio das Pedras, Capivari, isso é o que acontece quando você coloca uma unidade do peso de uma indústria automobilística como a Hyundai.

Rio das Pedras, por estar ao lado da Rodovia do Açúcar que vai ser duplicada, ela tende a ser a cidade mais impactada positivamente pela Hyundai?

Imagino que sim. A localização de Rio das Pedras é muito boa. Ela está lá no início da Rodovia do Açúcar, muito próxima da SP-304 e está antes de Piracicaba em direção ao anterior. Então é natural que ela recepcione novos investimentos ao longo dos próximos anos. 



Qual foi a grande cartada de Piracicaba para conseguir receber a Hyundai? 
 
 [risos] Na verdade, ocorreu primeiro uma disputa entre os estados. Grandes indústrias automotivas procuravam se instalar no Brasil: Toyota, Hyundai, Jac Motors. Essas quatro empresas estavam estudando a possibilidade de montar suas fábricas no Brasil. São Paulo sempre será estudada, ninguém descarta São Paulo porque aqui tem as melhores estradas,  a força de trabalho mais qualificada, energia suficiente, gás suficiente, todo um apoio logístico que a maioria dos estados brasileiros não têm. Esse é o primeiro ponto. Então a disputa se deu entre o estado de São Paulo e outros estados. Depois, dentro de cada estado se destaca alguns municípios. Em São Paulo não existe mais de 20 municípios com o porte de Piracicaba, no Rio de Janeiro é menos, em Minas Gerais é menor, na Bahia é menos. Então quando a opção foi ficar entre São Paulo e Rio de Janeiro, aí nós teríamos alguma condição. Se eles tivessem optado por Minas ou Rio de Janeiro, nós estaríamos evidentemente fora. Então, quando uma empresa alemã de consultoria internacional contratada pela Hyundai faz os estudos locacionais apontando que a fábrica deveria ser montada no eixo Rio-São Paulo, é claro que nós (Piracicaba) nos credenciamos para disputar. Com isso, a facilidade de energia, as nossas escolas técnicas, as escolas do Senai, a infra-estrutura que nós tínhamos, a expertise que Piracicaba já tem com a Caterpillar, que é uma montadora de máquinas pesadas, isso deve ter auxiliado na escolha deles. Com isso, a Hyundai ficou em Piracicaba e a Toyota foi para Sorocaba.

Em outros estados ouvimos que há grandes incentivos fiscais. Como São Paulo conseguiu ganhar essa disputa?

O governador José Serra e o Alberto Goldman (vice e secretário de Desenvolvimento Econômico) tiveram um papel importante. Eles criaram um plano de estímulo a indústria automotiva do Estado de São Paulo. Eu não diria redução de impostos, e sim algumas coisas como facilidade maior na exportação. Estabeleceu uma regra mais clara. Isso serviu para as empresas que estão em São Paulo como Ford, GM e Volkswagen também fazerem suas ampliações e aquelas novas também puderam fazer seus desenvolvimentos. Se os outros estados conseguem bancar algum estímulo, é claro que São Paulo que é a economia mais dinâmica e a que tem maior receita tributária tem condições de bancar também.
Piracicaba e Sorocaba se saíram bem e por uma razão simples: Piracicaba está muito próxima da metrópole, a nossa logística é boa. Tem a (rodovia) Washington Luiz, a rodovia dos Bandeirantes duplicada até São Paulo, a Dom Pedro, que faz ligação com o Rio de Janeiro, e a perspectiva da duplicação da Rodovia do Açúcar dentro quatro ou cinco anos. Portanto, Piracicaba está próxima dos pólos metropolitanos de Campinas, São Paulo, Santos e não muito distante do polo metropolitano do Rio de Janeiro. 

Quando o senhor trabalhou como pesquisador na Unicamp, atuou no Nesur (Núcleo de Economia Social, Urbana e Regional), com foco voltado para o planejamento urbano e social, relacionado ao desenvolvimento econômico. Isso mostra que seus acertos no governo não são meramente intuitivos. Eles têm embasamento acadêmico. 


Como pesquisador do Nesur, produzi muitos textos, muitas pesquisas sobre transporte, saúde urbana e sobretudo a questão social. No cargo de prefeito eu pude, evidentemente, utilizar dos conhecimentos técnicos que nós tínhamos e propusermos para a cidade uma política de desenvolvimento urbano, uma política social sustentável e as pessoas percebem que Piracicaba destravou aí nos últimos sete anos, aproveitando a conjuntura das indústrias, a conjuntura do crescimento da própria economia. Nós não descuidamos do social. Houve muitos investimentos em educação, saúde, lazer, cultura, esportes. Claro que atendemos aquelas famílias de baixa renda que não têm condições de frequentar um clube, de ir para um parque, uma pista de caminhada. 
 
 

O planejamento urbano se apresenta com um grande desafio para o seu sucessor, diante do crescimento econômico que se avizinha. Como o senhor acredita que deva ser a postura do seu sucessor para enfrentar esse desafio?

Quem me suceder, claro que ao seu modo, terá que continuar esse tipo de trabalho, esse envolvimento da população nas ações sociais de uma cidade e depois terá que também usufruir do que vem de positivo do parque automotivo que é muito mais geração de emprego, de renda, de tributos. Tocar a cidade para que ela não mantenha um crescimento desenfreado, mas nós não teremos um crescimento populacional tão significativo. Rio das Pedras, São Pedro, Capivari, vão crescer mais do que Piracicaba do ponto de vista populacional. O crescimento em torno de nós será maior. Isso é o que mostra um trabalho feito por uma pesquisadora da Unicamp. 
Eu deixarei uma coisa extremamente importante para toda a região que é um hospital regional todo projetado para crescer ao longo dos próximos anos. Fica muito próximo da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e muito próximo de Rio das Pedras. Na verdade, esse hospital será o hospital de Rio das Pedras, Piracicaba, Mombuca, Capivari, essas cidades.


Existem algumas perspectivas assustadoras sobre o crescimento populacional de Piracicaba. Uma delas, durante o lançamento de um importante empreendimento, fala em um crescimento de 250 mil habitantes nos próximos cinco anos!

Todo mundo está errado, tem gente mentindo e tem gente especulando isso aí. Isso não existe. A taxa de crescimento populacional dos próximos anos será de, no máximo, 1% ao ano. Nessa última década foi de 0,9% de crescimento ao ano. A tendência é baixar um pouco mais. O entorno de Piracicaba terá uma taxa de crescimento um pouquinho maior, mas também é 1% e pouco, não é muito mais do que isso. Hoje em dia as mulheres estão casando mais tarde, então as famílias planejam um menor número de filhos.  Há um acesso mais adequado dos métodos contraceptivos e a população tem mais informações, portanto as famílias estão tendo hoje um tamanho médio muito menor do que tínhamos 20, 30 anos atrás. Então eu não sei de ontem saiu essa bobagem de que poderia ter uma cidade com 250 mil habitantes aqui na região. E eu espero que vocês da imprensa procurem mostrar que isso é uma bobagem, não existe essa hipótese.
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Nós temos observado uma valorização absurda dos imóveis. Onde vai parar isso? O senhor acredita que o próprio mercado pode dar jeito nisto?

O mercado se adequa. Só o fato de ter diminuído a taxa de crescimento da economia já dá uma segurada. Ocorreu uma elevação considerável do preço dos imóveis e eles agora tendem a estabilização. Não sei se voltam ao patamar anterior, mas a oferta de imóveis através de loteamentos, condomínios, tudo caminha para estabilização. Hoje, os preços dos imóveis no interior do estado de São Paulo estão em alta. Isso não é só em Piracicaba. Isso vem aumentando na região nos últimos quatro, cinco anos. 

O senhor acredita que ainda tem uma margem para ficar ainda mais caro?

Acho que não. Acho que não há espaço para continuar crescendo do mesmo modo que cresceu nos últimos anos. 

Quando o senhor assumiu o governo, o orçamento da prefeitura era de aproximadamente R$ 400 milhões. Atualmente já superou R$ 1 bilhão de reais. Independentemente da Hyundai, Piracicaba já teve uma evolução econômica sob a sua regência. Quais foram os fatores determinantes para isso  e qual a projeção orçamentária que o senhor faz para os próximos anos depois que a Hyundai começar a faturar efetivamente?

Imagino que mesmo com problemas na economia nacional, por conta da crise européia que se alastra por outras regiões do mundo, Piracicaba tem condições de obter um crescimento da sua economia significativo por conta da instalação do parque automotivo. Por conta também de que em algum momento vai retomar a produção de máquinas e equipamentos para o setor de açúcar e álcool, em especial do etanol, o que evidentemente pode dar uma sinalização positiva ao longo dos próximos anos. É claro que isto está sujeito a uma reavaliação da conjuntura internacional. Saber a dimensão da crise européia e saber se o governo federal terá habilidades suficientes para acertar nas suas políticas para diminuir os reflexos da crise internacional, mas dado à movimentação da nossa economia, imagino que nós teremos crescimento positivo ao longo dos próximos anos e se isso acontecer é claro que aumenta a receita tributária do município. 

E o que determinou que dobrasse o orçamento?

São várias coisas. Primeiro que você tem que entender que a economia deu certo. As indústrias da cidade de Piracicaba cresceram muito. A Caterpillar cresceu muito, ampliando a sua produção. A VCP aumentou sua produção. A Arcelor Mittal quase que dobrou sua produção. A Dedini também fez investimentos. Depois, o setor de serviço da cidade acompanhou. Vieram para cá redes de supermercados, redes de atacado, redes de hotéis, a nossa gastronomia cresceu de forma significativa. É o jogo do ganha, ganha. Um vai puxando o outro e a prefeitura também destravou, arrecadando mais, fazendo mais parcerias, mais investimentos. O clima foi positivo para todo mundo. Não foi só a economia local, a prefeitura também cresceu e com habilidade aumentou a receita. E quando você aumenta o investimento público, você aumenta os empregos. Por exemplo, na construção do hospital regional, tem 165 pessoas trabalhando lá e uma quantidade enorme de empresas fornecendo tinta, pedra, madeira, aço, cimento, isso é gasto público. Na Ponte do Mirante, tem mais de 80 pessoas que trabalham ali e lá também tem fornecimento de matériais. Quantas pessoas trabalham montando a plataforma da Hyundai  e montando também mais cinco, seis grandes fábricas no entorno? 

Em todos os setores está faltando mão de obra. Como que o senhor vê essa questão? Nós tínhamos muita migração para o corte de cana, mas isso está acabando. É possível que tenhamos novas ondas migratórias para atender à futura demanda?
 
Não. Com o protocolo assinando entre os produtores de açúcar para a redução das queimadas, esse mercado de trabalho não qualificado está diminuindo consideravelmente, portanto essa migração de mão de obra não aparece mais do ponto de vista estatístico. Está aumentando muito a colheita de cana legalizada. O que acontece devido ao aquecimento da construção civil, é uma importação de trabalhadores migrantes de outros estados, que assinam um contrato de seis meses e depois voltam. O que a gente tem percebido é que essa mão de obra não tem se fixado em Piracicaba, mesmo porque isso é um ciclo. Um trabalhador da construção civil só fica onde tem construção civil, terminado os investimentos da Hyundai e de seus investidores, não tem espaço para que essa mão de obra permaneça na cidade.

O senhor tem se destacado como uma importante liderança regional. O senhor tem duas características que são marcantes: a virtude como administrador e empreendedor e a capacidade de exímio articulador político. É isso mesmo? 

Barjas: [risos] Bom, o primeiro ponto é que eu fui eleito no auge da minha carreira administrativa. Ocupei muitos cargos públicos e adquiri experiência, isso conta. Depois, nós montamos uma equipe da melhor qualidade. Bons secretários, pessoas compromissadas com a cidade, cada uma a seu modo ajudando no desenvolvimento da  cidade e é claro que as idéias aparecem. Hoje, Piracicaba se destaca no esporte porque o secretário de esportes tem habilidades, tem arrojo. Se destaca na Cultura porque a secretária da cultura tem experiência. Se destaca na educação porque o secretário de educação tem experiência política e administrativa. Posso até dar outros exemplos, mas isso ajuda bastante. Com relação à habilidade política, eu tenho um relacionamento muito bom com a Câmara. Eu já fui vereador, portanto eu conheço um pouco a forma de pensar dos vereadores. O meu diálogo com eles, a discussão dos projetos, é relativamente mais fácil para mim do que para aquele que nunca passou pelo Legislativo. Acho que essa é a minha diferença em relação a quase todos os prefeitos que me antecederam. Nenhum deles ocupou o cargo de vereador, só eu. 

Uma das informações que temos é a de que o senhor conquista os vereadores com emendas, ou seja, destinando um valor para eles decidirem onde aplicar esse dinheiro. O senhor acredita que esse foi realmente um dos grandes facilitadores?

Isso é um pouco de lenda. Os vereadores representam a sociedade e os bairros. A discussão sobre fazer ou não emenda no orçamento é a facilidade ou não de fazer atendimento. Muitas vezes você faz uma emenda no orçamento e em vez de ajudar, ela atrapalha. O que eu defini foi o seguinte: um determinado vereador tem plano de, por exemplo, cobrir uma quadra que custa entre R$ 200 e R$ 250 mil, fazer um Centro de Lazer que varia de R$ 35 a R$ 100 mil, um campo de futebol com no mínimo R$ 200 mil... vamos conversar. Muitas vezes não adianta fazer um emenda para a qual não vai haver recursos.  O vereador se queima, a comunidade não é atendida e engessa o orçamento. Eu prefiro conversar com eles e  aceitar as sugestões para definir se vamos fazer 2 ou 3 campos, 1 ou 2 centros sociais. Durante quatro anos você faz dez centro sociais, postos de saúdes, creches. Então as sugestões dos vereadores e as reivindicações ficam mais fáceis de serem atendidas.

E divide um pouco os méritos da realização.

Isso. Foi muito mais isso do que o valor fixo. Usamos um valor de referência para ter uma ideia. Se eu falo assim: cada vereador faz emenda de R$ 500 mil, são 16 vereadores, dá R$ 8 milhões de reais. De onde vamos tirar esse dinheiro? Então é melhor não fazer. Todo ano a gente faz investimentos, discuti com a sociedade e isso ajuda muito na regularização do orçamento e na própria execução.

A cidade de Piracicaba tem universidades importantes, é um celeiro de formadores de opinião e um tradicional reduto de petistas, que elegeu um dos primeiros prefeitos do partido em cidades de médio porte. Nesses sete anos do governo do senhor, não vimos surgir nenhum líder da oposição; também não surgiu nenhuma liderança da situação que pudesse criar crise provocada por vaidades ou ciúmes dentro do governo; não assistimos a nenhuma crise mais aguda entre Executivo e Legislativo. Onde entra o articulador Barjas nesse cenário? É tudo uma coincidência?

 [risos] Eu não sei, você que tem que fazer a análise. A conjuntura permitiu. A administração está bem avaliada, com políticas sociais consistentes. Veja, um governo que constrói em seis anos 33 escolas de educação infantil, que gera oito mil vagas, é um governo que tem o respeito da comunidade e uma articulação boa com os vereadores. A oposição também fica sem discurso, porque o governo está realizando. Você pega aqui um governo que fez no mesmo período de seis anos 27 escolas de ensino fundamental, 25 unidades de Seo da Família, 23 centro sociais na região, 12 campos de futebol de tamanho oficial, uma centena de centros de lazer. É difícil você fazer uma articulação de oposição quando você tem políticas sociais que dão certo. Não tem investimento da prefeitura que não seja para a comunidade. Eu trabalhei muito com a geografia urbana da cidade, dividindo-a em várias cidades. Piracicamirim é uma cidade, Santa Terezinha é outra, Paulista é outra cidade, Vila Rezende é outra... Todos esses lugares em que eu estou falando tem mais de 50 mil habitantes. É maior do que Rio das Pedras, Capivari. Nós procuramos trabalhar como se fosse uma cidade, então cada uma delas tem um pronto-socorro, se já tinha foi ampliado, cada uma delas tem que ter um ginásio de esportes, se não tinha foi construído, cada uma delas tinha que ter varejões, cada uma delas tinha que ter parques de lazer, cada uma delas tinha que ter centros sociais, escolas, então nós procuramos tratar essas regiões como uma cidade, o vereador que mora no bairro conhece isso e a população fica conhecendo. Dificilmente vem alguém aqui dizendo “não fizeram nada pelo meu bairro”. Nós fizemos reformas públicas, debates de orçamento, pegamos as indicações dos vereadores, então o volume de investimentos em obras de médio porte para baixo, que é de interesse direto da população, nós fizemos. 

O Fernando Henrique Cardoso disse em entrevista no Roda Viva que o presidente Lula optou por ser mais querido do que temido e adotou uma postura permissiva demais em relação às alianças políticas. Qual é a postura do senhor em relação às articulações políticas? O senhor prefere ser temido ou amado?

Tive a oportunidade de ser prefeito duas vezes, não é uma coisa simples, tenho um grande orgulho de ser prefeito. É uma característica minha, por onde eu passo, me dedico ao cargo. Na Unicamp, na Unimep, Ministério da Saúde, da Educação, em todas as oportunidades. É melhor fazer e ser reconhecido do que não fazer, então eu sempre faço. Isso me diferencia muito de muitas pessoas que trabalham na política. Nessa mesa aqui não vem problema fácil, mas não é porque o problema é difícil que eu já descarto de imediato. Se é uma coisa complicada, é difícil mas eu vou tentar achar uma solução, se não dá pra fazer agora, é uma coisa que merece atenção e eu vou tentar fazer. Se não dá certo na primeira vez, eu tento na segunda, na terceira. Então, se eu prefiro ser temido ou amado? Não, eu prefiro ser reconhecido e considerado um bom governante.

FHC colocou naquela entrevista que há partidos com os quais preferia não fazer alianças, ao contrário do Lula que acabou se articulando com praticamente todos os partidos adotando algumas alianças até promíscuas. 

Eu tenho uma característica: eu tento resolver os problemas, mas eu não enrolo. Se não der para fazer, eu falo não. Eu tenho a capacidade de falar não com a mesma facilidade que eu falo sim. Quando tudo é prioridade, nada é prioridade. Você tenta fazer tudo e não faz nada. Uma coisa que é bastante clara no meu governo: todos nós, secretários, temos metas, planos. Às vezes a meta é até um pouco utópica, mas é melhor você ter uma meta mais ambiciosa, tentar chegar nela, porque se você não tem meta, você não faz nada. Se você não tem a estratégia, o plano, a diretriz, você não faz.  Porque o cotidiano entope tudo. Por exemplo, “o que você vai fazer na educação?”, eu tinha a meta de gerar mil vagas por ano, pronto. “Como pode gerar mil vagas?”, ampliando escolas, fazendo novas, abrindo berçário, assim. Eu sou muito pragmático, se não dá para ampliar essa escola, amplio a outra. Com uma demanda tão grande, eu não vou ficar perdendo tempo. Tem crianças de 0 a 5 anos que não são atendidas, então eu não perco muito tempo pensando se vai ser aqui ou ali. Se dá para fazer, eu estou fazendo. É claro que você planeja fazer em áreas de maior vulnerabilidade. A primeira escolha de educação infantil que eu fiz foi no Bosque do Lenheiro, que era o bairro de maior vulnerabilidade, por isso que eu me esforcei para fazer lá, porque era lá que precisava. Agora, outros bairros que não tinham a mesma vulnerabilidade também receberam investimento.

Em relação a Rio das Pedras, o senhor pretende participar de alguma forma da política de lá? 

Eu sou coordenador do regional do PSDB, então eu me articulo aí por dez, 12 municípios. Periodicamente, nós trocamos figurinhas, conversamos, vemos as dificuldades. Tanto é que há três semanas nós fizemos uma reunião regional aqui com os representantes do PSDB de Rio das Pedras, Saltinho, Rafard,  Capivari, Mombuca, São Pedro, Águas de São Pedro, trocamos figurinhas para um auxiliar o outro, é uma troca de experiências. Participarei, evidentemente, da discussão das candidaturas da região, mas os diretórios todos têm autonomia. Então, cada diretório vai lá e escolhe os seus candidatos pelos seus critérios. A minha participação e do Thame será sempre mais forte nos locais onde tiver muito conflito. Então nós vamos tentar sempre fazer a conciliação para que não tenha problema durante a campanha eleitoral. No caso de Rio das Pedras, a coisa está caminhando bem. O diretório está unido, nós vamos ter candidato próprio, está bem conversado. 

Está definido que o candidato vai ser próprio lá? Já tem algum nome?

Olha, o nome que está pintando em Rio das Pedras é o do Carlos Defavari. 

E é uma via irreversível ter candidato próprio lá?

É uma orientação do partido estadual de que todos os municípios que têm diretório próprio têm que ter candidaturas próprias. E se não tiver candidatura própria, os diretórios locais perdem autonomia. Para fazer alianças, tem que discutir com São Paulo e passar pela coordenação. É pra ter candidato lá, se não vai ter, tem que discutir com São Paulo o motivo pelo qual não vai ter.

Não é uma hipótese descartada, mas é difícil?

É difícil. O Thame, que ó o nosso deputado federal da região, ele tem conversado e deixado bem claro. Ele foi presidente do PSDB estadual. A orientação é candidatura própria para todo mundo. Se lá na frente não tiver jeito, senta-se e vê o que vai fazer. São Pedro, Piracicaba, Iracemápolis, Rio das Pedras, Saltinho, todas essas cidades terão candidaturas próprias.

De alguma forma, o senhor pode contribuir em um eventual futuro governo do Carlos Defavari?

Ah, sim. O que eu mais tenho feito é discutir planos. Fui professor de economia, trabalho com planejamentos, conheço um pouco mais as finanças públicas, e eu recebo muito visitas de pré-candidatos a prefeito e prefeitos para verificar o seguinte: qual é o limite do possível? Porque ganhar uma prefeitura e depois não saber o que fazer com ela também não adianta nada.  Simplesmente passar pelo cargo de prefeito e depois não ser bem avaliado, não sei se vale a pena. Eu tenho participado de muitos seminários dentro de São Paulo, fora de São Paulo e na região dando palestras e conversando. Estive recentemente com pessoal de Rio Claro, tinha lá umas 100 pessoas, para discutir o que é possível fazer com uma cidade como Rio Claro.  O orçamento é isso, dá para fazer isso, isso e isso, na saúde e na educação tem essas alternativas. O prefeito pode fazer muita coisa, mas ele também tem limites. Não adianta também inventar coisas que não dá para fazer. Fico contente por saber do Defavari. Vou ajudar, conversar, eu com o Thame o que pudermos fazer.

E o que o senhor vai fazer em 2013?

 [risos] Uma coisa que eu sempre digo a todo mundo: se a minha gestão tem algum êxito, é porque ela é focada. Tem que fazer ponte, escola, tem que gerar tantas coisas... eu foco. Eu foco na administração. Se eu ficar botando o pé em duas canoas, eu não vou fazer a coisa certa, então eu estou focado em terminar o meu governo. Vou focar no debate eleitoral do ano que vem porque o que vai ser debatido ano que vem é o meu governo. Quem está fora quer pegar o meu lugar, então vai criticar, propor coisas melhores, então nós vamos para o debate nessa questão do que é o meu governo, o que ele tem de falhas, o que ele pode melhorar e o que pode se propor. Terminada a eleição, eu vou pensar no que fazer.
 
 
E quando o senhor divulga o nome do sucessor?

O nome não é o Barjas que decide, é um colegiado do PSDB, mas pelo fato de eu estar no cargo de prefeito e que vai ser avaliado a minha gestão, eu tenho defendido a tese que está assimilada dentro do PSDB e dentro dos partidos coligados, que é melhor escolher um dos atuais secretários porque conhecem bem a máquina, têm experiência administrativa, conhecem bem o governo e é mais fácil para enfrentar o debate. Uma pessoa que não esteve dentro do governo encontra um pouco mais de dificuldade para defender o governo e para propor as correções necessárias.
 
 

 
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